Stefan Horochovec
Possuo 20 anos de experiência no desenvolvimento de soluções web. Nos últimos 10 anos tenho atuado como Arquiteto de Soluções auxiliando empresas a desenvolver projetos para nuvem com um grande foco em Java EE como tecnologia voltada ao backend, Angular e React voltada ao frontend e Flutter voltado ao desenvolvimento móvel. Com relação a plataformas na nuvem, atuo com projetos consumindo serviços da AWS, Azure, e GCP.

Flex SDK — É chegada uma nova era?

Olá pessoal

Estou fazendo este post para comentar um pouco sobre esses anúncios sobre a continuação do Flex SDK pela comunidade, como a Adobe nos notificou na sexta-feira, dia 11, através deste post.

A algumas décadas (isso mesmo, décadas), nós vemos o surgimento de novas tecnologias com a ideia de substituir as atuais, porque nossas necessidades mudam muito rapidamente, e nós precisamos de ferramentas para satisfazer a nossa demanda, por isso todos nós sabemos que nenhuma tecnologia, ferramenta, sistema operacional, hardware, ou seja, tudo que envolve TI, não irá durar para sempre. Esse é o ciclo de vida na informática, quando algo não serve mais uma nova tecnologia irá surgir naturalmente e irá substituí-la.

Eu nem preciso fazer uma analogia com as tecnologias de desenvolvimento desktop, com certeza você que está lendo já fez um flash back daquilo que você viveu, ou que ouviu algum professor na faculdade e achava que ele só dizia besteira.

Isso aconteceu com o Flash em um primeiro momento, que surgiu para atender uma demanda no desenvolvimento que o HTML não atendia, e na seqüência, 6 anos depois do surgimento do Flash (se não me engano), surgiu o Adobe Flex, um produto que viria a atender o desenvolvimento de aplicações “Enterprise”.

As pessoas julgam a curva de aprendizado do Adobe Flex extremamente simples, talvez isso não fique claro para todos, mas hoje nas faculdades, todos aprendem programação orientada a objetos, estrutura de pacotes, herança, etc. E é isso que o Flex é, a sua linguagem é orientada a objetos com desenvolvimento orientado a eventos, um modelo muito claro de se entender, e muito parecido com as linguagens mais populares que nós temos hoje no mercado para backend (Java, .NET, PHP, Ruby), porém, nem todas as faculdades contêm o Flex em sua carga horária, mas mesmo assim, mesmo sem entender o Flex, o analista/programador que sai da faculdade, se depara com essa tecnologia e todos os conceitos que ele aprendeu se fazem valer e tudo começa a fluir muito bem (Tente ensinar Flex para uma pessoa que trabalhou a vida inteira com o modelo estrutural, sem conceitos de orientação a objetos, você verá que essa coisa de curva de aprendizado vai por água a baixo).

Pois bem, passado-se alguns anos o Flex é usado em larga escala mundial para o desenvolvimento de aplicações “Enterprise”, mas ele não ficou restrito apenas a esse seleto grupo de grandes empresas. Hoje, pequenas e médias empresas pagam para ter soluções com essa tecnologia, pois acreditam que ela irá resultar em um projeto de qualidade, em cima de um custo que ela possa arcar, e em um tempo que seja possível ela esperar para que seja atendida.

Jogando um balde de água fria em tudo o que eu escrevi até agora, a Adobe optou por descontinuar o Flash Player para mobile (já fiz um post sobre isso), e optou também por doar o projeto a uma fundação opensource chamada Spoon, e em seu post, lamentavelmente existe um trecho de 3 linhas aonde a Adobe afirma acreditar que o HTML5 será a médio-longo prazo, a linguagem de desenvolvimento das aplicações “Enterprise”.

Mas voltando ao segundo parágrafo do meu texto, eu escrevi que é natural uma evolução das tecnologias, levando algumas a “morte” ou a um nível de uso muito baixo, mas isso acontece com naturalidade quando novas tecnologias surgem no mercado para atender novas demandas, atender com recursos que ainda não existiam, oras, isso é natural, é o que acontece com celulares, tvs, geladeiras, carros, homens, mulheres (calma Stefan, exagerou, não exagerei, quando seu relacionamento está ruim, você não parte pra outro?), mas agora, pela primeira vez eu vejo uma linguagem ser substituída por outra com menos recursos. Não podemos acreditar que por surgirem alguns frameworks que reduzem a incompatibilidade entre navegadores, o número de recursos se iguá-la. Obviamente o HTML5 é uma linguagem que tem muito a oferecer, a evoluir, mas será que ela já é madura o suficiente para substituir o legado que o Flex construiu?

Mas voltando ao Flex e a Spoon, você já parou para pensar que os componentes da Flexlib que são utilizados por muitos desenvolvedores podem estar dentro do FlexSDK em breve? Já pensou que o Swiz, Mate ou RobotLegs podem um dia serem embutidos dentro do FlexSDK? Já pensou que a WebORB ou a GraniteDS por exemplo, podem se aproximar ainda mais seus produtos do FlexSDK? Já pensou que você pode submeter um componente, ou um patch de correção do Flex para o SDK e ter seu nome lá, publicado, com seus méritos de colaboração a um projeto OpenSource?

Para finalizar esse post, vou contar uma breve experiência que eu tive no ano 2001 se eu não me engano. Nessa época eu trabalhava com servidores Linux e utilizávamos um servidor de email chamado Exim. No Linux existem dois serviços para emails, um controla o envio de mensagens, e outro o recebimento, e na época, o Exim ainda estava começando, os logs eram muito complicados de se analisar, pois eram em dois logs separados. Eu e meu colega de trabalho Genilto, criamos um analisador de logs, que lia os dois arquivos, verifica o envio e recebimento de mensagens, e gravava isso em uma base de dados MySQL para que fosse possível analisar o tráfego de envio e de recebimento, casando as informações caso um email tivesse sido enviado e recebido pelo mesmo servidor. O projeto foi publicado e recebemos emails de usuários de várias partes do mundo, comentando, tirando dúvidas, parabenizando e criticando nosso projeto, isso foi uma experiência muito bacana. Obviamente que o projeto durou pouco, pois logo veio uma nova versão e nosso projeto acabou sendo desnecessário pois mudou-se a forma de logs e a própria Exim corrigiu o problema.

Uma das mensagens que eu quero deixar nesse post é essa experiência que eu tive. Trabalhar com opensource é muito gratificante, obviamente que na escala do Flex, não é cada um em sua casa que vai resolver os problemas e criar inovações, postá-las e pronto, mas acredito que pelo número de empresas, número de negócios envolvidos, esse dinheiro irá aparecer e o projeto continuará a evoluir, ao menos, é isso que eu acredito, mas independente disso, sua contribuição poderá estar lá.

A segunda mensagem é que eu não sou viciado em Flex, antes que eu tenha que responder isso em algum comentário ou email, acredito que mais dia menos dia, algo melhor surgirá e deixaremos de utilizá-lo. Também quero dizer que é óbvio que estou atento ao mercado, e não quero ser chamado de vovô-flex daqui a 5 anos com a galera #soudev apontando na rua, “olha lá, aquele é o Stefan que ainda usa Flex, será que ele tá comendo direito??? Tá magrão, antes ele era gordo pra caramba….”.

A terceira mensagem é que não sou contra mudanças, e espero que um dia o Flex saia de cena, mas que saia como um soldado vencido e não como um soldado abandonado.

PS: Esse é o post que inaugura a categoria “HTML5” em meu blog, hoje fiz um teste e dei duas tuitadas sobre javascript e tive um bom feedback, talvez seja hora de compartilhar algo com o pessoal 😉

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