Stefan Horochovec
Possuo 20 anos de experiência no desenvolvimento de soluções web. Nos últimos 10 anos tenho atuado como Arquiteto de Soluções auxiliando empresas a desenvolver projetos para nuvem com um grande foco em Java EE como tecnologia voltada ao backend, Angular e React voltada ao frontend e Flutter voltado ao desenvolvimento móvel. Com relação a plataformas na nuvem, atuo com projetos consumindo serviços da AWS, Azure, e GCP.

Xiaomi MI8 e MIUI 10 — Minhas impressões

Bom, nesse artigo eu vou falar um pouco sobre as minhas impressões no uso de um Xiaomi MI8 e também sobre o uso da MIUI 10 Global.

Quero lembrar que o que vou relatar aqui é a minha impressão pessoal no uso do aparelho, ou seja, você pode discordar 101% do que estou escrevendo aqui. Caso discorde, por favor, utilize os comentários do blog para argumentar e criar uma discussão sadia sobre o assunto 🙂

Mas vamos lá, a alguns dias atrás comentei no Facebook que tinha adquirido um Xiaomi MI8 para testar a marca mais famosa e infelizmente não comercializada aqui no Brasil. Para minha surpresa, alguns amigos na minha timeline fizeram vários comentários positivos sobre a aquisição.

Mas a primeira pergunta é: “Porque fiquei surpreso?”

Simples, esses aparelhos não são vendidos no Brasil, e algumas pessoas que comentaram não são um público nerd, ou seja, pessoas “comuns” estão utilizando um aparelho que costumeiramente não é vendido em lojas por aqui.

Inevitavelmente comentários de usuários mais “nerds” surgiram e também fizeram elogios ao aparelho, confesso que me animei…

Vou começar a contar desde o momento que abri a caixa.

Primeiro ponto: Tela

Após tirar o celular da caixa e segurar ele na mão, não pensei duas vezes e coloquei ele à venda para todos que estavam comigo na sala.

Na primeira “pegada” achei o celular enorme, e confesso que não fiquei nem um pouco confortável com seu tamanho e peso. Utilizo diariamente um iPhone 6 e um Google Pixel, celulares muito menores que o Xiaomi MI8. Essa questão do peso e do tamanho foi superada com cerca de 2 dias de uso, simplesmente não sei como vivia sem uma tela enorme como a do Xiaomi MI8.

Basicamente meu uso do celular se limita as seguintes funções (nessa ordem de importância):
– Ler e enviar emails;
– Testar aplicativos que desenvolvemos;
– Navegação na internet;
– Ouvir música (Spotify);
– Utilizar redes sociais como o Twitter e o LinkedIN;
– Whatsapp;

Graças ao tamanho da tela, ler e enviar emails ficou MUITO melhor. É incrível a quantidade de informação que você recebe na tela sem a necessidade de ficar fazendo scroll. Eu gostei muito, a leitura de emails e de conteúdo via navegação é muito mais agradável. Nesse quesito a Xiaomi me surpreendeu bastante, ponto positivo.

Segundo ponto: Hardware

Sem dúvida nenhuma o celular é rápido.

Algumas páginas que costumavam dar uma “engasgada” no meu Google Pixel (navegando pelo Google Chrome), e em meu iPhone (navegando pelo Safari), funcionam sem nenhum problema no Xiaomi MI8 (navegando pelo Google Chrome).

Outras situações ocorrem no uso mais excessivo do dispositivo, mas eu comento mais sobre isso no ponto sobre a MIUI.

Terceiro ponto: Conectividade 3G/4G

Nesse ponto o Xiaomi MI8 deixou a desejar. Comecei a observar que em pontos aonde eu sempre tive acesso via 4G em meu iPhone e em meu Google Pixel, com ele nem sempre a coisa funciona como o esperado.

Volte e meia eu percebo uma lentidão na Internet e quando vou verificar, a minha conexão não está 4G, 100% das vezes eu puxei meu iPhone do bolso e o 4G estava funcionando perfeitamente. Em alguns casos fiz o famoso Speedtest e o Xiaomi tomou de lavada (obviamente por estar utilizando apenas o 3G). Detalhe interessante é que nos dois aparelhos utilizo chips da Vivo pós-pago.

Quarto ponto: Bluetooth

Bom, nesse quesito a coisa desandou de vez. A única conexão bluetooth que funciona bem é com minha Android TV, que por sinal, também é da Xiaomi.

Para parear com meu carro foi uma novela, tive que reiniciar o aparelho várias e várias vezes. Não consegui fazer o pareamento com meu Macbook pro, com meu Moto 360 e com meu TomTom Sports. Decepcionante.

Quinto ponto: Android Auto

Infelizmente não funciona. Bugs e mais bugs com relação ao tamanho da tela e ao touch. Até enviei print-screens do bug para a Xiaomi em um aplicativo de um fórum que vem instalado no dispositivo e pela minha surpresa ninguém comentou que conseguiu fazer ele funcionar.

Esse fator para mim é tão importante que eu simplesmente desisti de usar o Xiaomi no dia a dia e voltei a utilizar meu iPhone como dispositivo principal.

Sexto ponto: Launcher

Bom, esse ponto é bastante interessante. Se você nunca utilizou o Android P, provavelmente não ache tão ruim o Launcher padrão da MIUI 9/10. Mas caso já tenha utilizado o Android P, provavelmente não vai ficar muito confortável com o Launcher padrão.

Felizmente a Xiaomi criou um launcher chamado POCO Launcher. Que basicamente é a cópia do Launcher padrão do Android P, que eu gosto muito.

Infelizmente ele ainda não teve o lançamento oficial, mas como estamos falando de Android, facilmente você consegue fazer o download do APK em algum local alternativo e instalar ele no seu aparelho. Recomendo.

Sétimo ponto: Tela Infinita

Outro ponto bem interessante é o “Tela infinita” presente na MIUI. Para quem se aventurou com o BB10, sistema operacional da BlackBerry que foi descontinuado, não vai perceber muita diferença no uso.

A idéia foi bem copiada e funciona bem, muito melhor substituir os botões virtuais no rodapé do aparelho por gestos. Acertaram em cheio nisso.

Oitavo ponto: Camera

Tirei umas 3 ou 4 fotos com o aparelho, como eu não tenho muita expectativa sobre isso, prefiro não entrar no mérito da qualidade das fotos pois não testei direito.

Só fiz questão de deixar registrado que não tenho opinião formada sobre ela.

Nono ponto: MIUI

Enfim, o ponto que gera maior desconforto no Android são as ROMs customizadas. Eu particularmente não consigo entender o motivo de tantas alterações nas ROMs.

A MIUI vai ao extremo, tenta ao máximo copiar a interface do iOS. Algumas coisas funcionam, outras nem tanto, eu não vou entrar no mérito dos detalhes visuais, mas sim aos técnicos.

Primeira frustração: Performance. A MIUI é rápida na maior parte do tempo, porém, como eu tenho um Google Pixel e um iPhone, minha comparação é feita com dois dispositivos que rodam com sistema operacional sem nenhuma alteração. Em diversos momentos depois de MUITO uso, a MIUI dá uma engasgada em algumas situações como troca de aplicativos e gestures quando você está utilizando a “Tela Infinita”. A saída é finalizar o aplicativo que começou a engasgar e começar novamente.

Em vários reviews no Youtube, você irá encontrar pessoas fazendo um roteiro de abrir apps, jogos, etc e comparando com outros fabricantes, porém, na vida real a forma de uso é diferente e inevitavelmente o comportamento do aparelho também, infelizmente na vida real, a MIUI deu umas engasgadas em um device com incríveis 6GB de RAM.

Segunda frustração: foi a novela com relação a atualização. Demorou… como demorou. Diversos aparelhos da Xiaomi receberam o update da MIUI 9 para 10 antes do MI8. Isso meu irritou e acredito que todos os usuários gostariam de receber a atualização simultaneamente, assim como ocorre no iOS por exemplo.

Terceira frustração: Apps desnecessários. Uma quantia enorme de apps desnecessários vem instalados e você não consegue remover do aparelho.

Alguém com certeza vai dizer que o dispositivo vem com bastante espaço, mas eu particularmente prefiro remover apps que não utilizo, mas infelizmente não é possível remover um monte de coisas que a Xiaomi coloca no aparelho.

Acredito que poderiam gastar energia em corrigir os problemas que eles causaram modificando a ROM ao invés de criar apps que não fazem tanto sentido assim.

Eu acharia incrível se a Xiaomi fizesse o seguinte: Na hora do boot inicial pedir ao usuário se ele gostaria de utilizar o Android puro, ou utilizar a MIUI. Dar ao usuário o poder de escolha seria épico. Se essa opção existisse eu iria utilizar o Android puro, sem dúvida.

“Veredito final”

Por fim, não quero desanimar ninguém a comprar um Xiaomi, ou mais especificamente um Xiaomi MI8, essas são algumas percepções de problemas que EU tive durante o uso nos últimos 15 dias.

Sem dúvidas a Xiaomi tem uma variedade enorme de dispositivos hoje no mercado e a cada dia se consolida cada vez mais no mercado, mas celular é um conjunto de hardware e software. De nada adianta lançar um novo hardware a cada 3 ou 4 meses, e ter um software com tantos problemas (pelo menos para mim).

Apesar desses pontos não tão positivos, o custo benefício é bastante interessante. Os grandes do mercado no mundo Android cobram muito mais caro em um aparelho com configurações semelhantes, se for comparar com a Apple e seus iPhones então, a diferença de valores é muito maior.

Ou seja, nesse mundo de smartphones, não temos mocinhos nem bandidos. As empresas lançam aparelhos em cima de aparelhos para fomentar a compra de novos dispositivos.

O jogo é esse, pouco se muda e ainda por cima muito se copia.

Um abraço!

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